SETEMBRO AMARELO E AS CAUSAS DO SUICÍDIO MASCULINO

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Perante quem é que somos homens? É uma pergunta simples. Mas ela revoluciona toda a história da humanidade. Experimenta fazê-la. Experimenta pensá-la. – Vergílio Ferreira

Não foi ataque cardíaco, não foi câncer de próstata, não foi latrocínio, foi a decisão de findar a vida, que dizimou 62.804 pessoas, entre 2011 e 2016, sendo 79% desse número, pessoas do sexo masculino, conforme boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

Toda vida merece respeito, mas a principal pergunta é: por que tantos homens cometem suicídio? O que está por trás dessas mortes autoinfligidas? O que esses números representam e por que ninguém diz nada a respeito dessa discrepância quantitativa?

Conforme o presidente da Academia Internacional de Pesquisa do Suicídio, Rory O’Connor “o mais alarmante é que a maioria dos deprimidos não comete suicídio, menos de 5% o fazem”. Logo, descartamos a depressão masculina como causadora de números tão alarmantes para a prática.

Então quais seriam as causas para esse número? Será que ele não seria ainda maior, se analisássemos friamente as mortes decorrentes de acidente de trânsito, aqueles acidentes que ninguém entende o porquê e como aconteceu; aqueles acidentes que todo mundo pensa “como alguém entrou com o carro nesse poste?” ou “como alguém bateu o carro dessa forma?” ou “como alguém despencou com o carro nesse precipício/desse viaduto, seguro e sem chuva, que nunca aconteceu nenhum acidente?” Esse acidente, provocado e fatal, é uma surpresa para todos, e nem mesmo cogita-se o suicídio, pois não houve qualquer aviso, não houve demonstrações e falas tão evidentes, por medo de ser ridicularizado e por vergonha de viver em tais pensamentos. Nem todo suicídio é inequívoco, menos ainda quando falamos de vítimas masculinas.

Vítimas? Sim! Vítimas do perfeccionismo social, das cobranças de “seja homem”, dos estereótipos de masculinidade, do silêncio social, do tabu, da impossibilidade de falar e demonstrar emoções, da obrigação de ser um super-herói, das piadas em que homem não pode chorar, da desvalorização enquanto ser humano, da imposição de ser o provedor custe o que custar, do legislativo que proporciona leis que distanciam os homens dos filhos, assim como transformam mulheres em armas…

FAMÍLIA:

Local e sentimento de aconchego, de paz, de serenidade, de refazer as energias, de ser confortado e de confortar, de apoiar e de ser apoiado. Todavia, nem sempre é assim, as vezes existem decepções com esposa, com os filhos, as vezes você trabalha em longas jornadas para oferecer o melhor, mesmo que o melhor te distancie fisicamente dos que ama, pois lhe foi ensinado que esse era o seu papel, e ao invés de reconhecimento, você escuta “você prefere o trabalho a sua família”; ou seu filho não tem mais suas referências e se transformou em alguém que você desconhece, ingrato a tudo que você faz dia e noite por ele; as vezes, enquanto você trabalha em 2, 3 locais diferentes, sua esposa se diverte com outro, pois não compreende que o tempo que você está fora não é porque você precisa, mas que você faz por ela.

Ás vezes, direta ou indiretamente você é cobrado a manter o sucesso e sempre estar em evidência, e impossibilitado de erro, queda financeira, desemprego, e quando isso ocorre, afinal, crises acontecem com todos que estão vivos, (exceto aqueles que não fazem nada, afinal a quem nada faz, nada acontece), você queria um abraço, um colo, um incentivo da companheira, mas recebe críticas, cobranças e comparações…em alguns casos prefere esconder que passa por alguma dificuldade financeira, com medo de não ser mais amado, mas nesse esconde-esconde, esconde de si mesmo que já não é amado (ou talvez nunca tenha sido), mas que o dinheiro que ele traz para a casa é que é amado, e que você é um mero objeto de sucesso.

Após anos de dedicação, descobrir-se em tal situação não é agradável, as vezes perde-se no caminho e as vezes a decepção é tão grande que parece não haver motivo para continuar vivo.

Um homem incapaz de prover para sua família não pode se considerar, de forma nenhuma, um homem. Enquanto uma mulher nunca deixa de ser mulher, a hombridade pode ser perdida (Roy F. Baumeister é um psicólogo social)

Os homens consideram o suicídio uma forma de execução. Um homem expulsa a si mesmo do mundo. Falamos de uma enorme sensação de vergonha e fracasso. O gênero masculino se sente responsável por prover e proteger os demais, além de responsável por seu próprio sucesso. Quando uma mulher perde seu emprego é doloroso, mas não perde seu sentido da identidade nem sua feminilidade. Quando um homem perde seu trabalho sente que já não é um homem. (Martin Seager, psicólogo clínico)

FALSA ACUSAÇÃO DE ESTUPRO E/OU ABUSO SEXUAL INFANTIL:

Como já abordado em outros artigos, deveria ser tipificado como crime hediondo, e não uma um simples crime de denunciação caluniosa, pelos danos irreparáveis impostos injustamente ao homem, por um banal deleite feminino.

Crimes contra a dignidade sexual, principalmente o estupro (213 Código Penal) e estupro de vulnerável (217 A Código Penal), quando de conhecimento da população, podem causar ao acusado, mesmo que ausente de prova, lixamento público, exclusão social, perda de emprego e ou clientes, exclusão da faculdade e de outros ambientes, repúdio da família e conhecidos, perda do contato com os filhos, necessidade de mudar de cidade em decorrência de perseguições, prisão sem justa causa – bastando a palavra da suposta vítima – consequentemente gastos dispendiosos com advogados para provar a sua inocência, simplesmente ignorada em benefício da acusadora, e da sociedade que insiste na demonização do homem e na falaciosa cultura do estupro; ignora-se o princípio da presunção de inocência, art.  LVIICF e utiliza-se a presunção de culpa.

Após anos de sofrimento, de luta em provar sua inocência, nem todos conseguem, mas também não conseguem conviver com a falsa acusação que o seguirá durante todo o perdurar de vida; os que conseguem provar a inocência, também pouco importa, já ficaram presos, alguns já sofram violentados, e a sentença absolutória não mudará o status de monstro que recebeu anteriormente. Nem todos conseguem conviver com esse sentimento, essa solidão e essas perdas, as vezes inesperadas.

ALIENAÇÃO PARENTAL:

É outro fenômeno que destrói completamente o homem, constantemente a mulher utiliza as falsas acusações para quebrar o vínculo afetivo dos filhos com o pai, outras vezes ela simplesmente desaparece com os filhos, cria narrativas inverídicas e coloca a criança, vulnerável e que não sabe distinguir a verdade, contra o pai, cria sentimentos ruins na criança e usa como meio de vingança ao ex companheiro, pelo fim do relacionamento, por alguma traição, por insatisfação com a divisão dos bens no divórcio… Bem como nas falsas acusações, o homem chega a gastar absolutamente tudo o que tem, faz dividas e luta enquanto há forças para restabelecer a guarda dos filhos, guarda compartilhada ou ao menos poder ter contato e amar a criança, todavia também nem sempre consegue ou quando consegue, já se passaram anos e anos, o filho cresceu e simplesmente ignora a existência do pai, um vínculo quebrado que não se refaz; e o sentimento desse pai? Anos e anos de sofrimento, em geral calado… é, uma hora desiste do filho, e as vezes ao desistir do filho desisti de si mesmo, por não aceitar essa desistência, as vezes nem tem mais dinheiro e forças para lutar pela vida que também veio dele…

ABORTO SEM O CONSENTIMENTO DO GENITOR:

Assunto delicado, mas demasiadamente comum, quando o casal está grávido, e na ocorrência de alguma discussão, fim do relacionamento ou insatisfação da mulher, sem se importar com as expectativas ou sentimentos do pai, aborta, como forma de punição. Algumas, ainda mais narcisistas, fazem chantagens, que caso o relacionamento não seja reatado, ela irá abortar – algo extremamente brutal para acreditar que uma mãe, que até algumas horas atrás amava o filho, fará para escarnear o ex-companheiro. Nesse caminho criminoso, vez que o aborto é crime (salvo aborto legal, humanitário e de feto anencéfalo) podem se passar dias, ou semanas de tortura psicológica, com ameaças constantes ou simplesmente desaparecer, mas uma característica comum, em todos os relatos que ouvi de amigos, colegas e outros homens, a história se repete, e todas as mulheres fizeram questão de enviar fotos do feto abortado, para completar a punição e traumas do homem, que não podia fazer nada para impedir…e os que conseguiram alguma manifestação da polícia, já era tarde demais para manutenção da vida do filho, que não veio ao mundo por egoísmo. Embora o homem, em nada tenha culpa, criou imensa expectativa em receber o filho, já planejava quarto, festas, nomes, e de uma hora para outra o filho não existe mais…ainda, nem todos se perdoam de algo que eles não tinham o controle e tampouco a decisão, que foi o aborto. Conviver com esses sentimentos não é fácil, e grande parte convive com eles em silêncio, sem apoio de amigos e familiares, o que aumenta a dor e sofrimento; guardar tanta dor pode aumenta-la até que literalmente não se aguente mais…

DESVALORIZAÇÃO DO HOMEM:

Vivemos uma época sobremaneira preocupante, em que o homem é culpabilizado pelas incapacidades femininas, e demonizado numa espécie de dívida histórica pelas violências já impostas as mulheres. Ás mulheres adquiriram direitos, mas não dividiram as responsabilidades e não retiraram do homem o papel exclusivo de provedor, de máquina indestrutível; as mulheres ganharam liberdade, mas não ofereceram voz aos homens; as mulheres obtiveram inúmeras leis que foram desvirtuadas por pessoas de má-fé e transformadas em instrumentos de destruição dos homens. Os homens que não podiam ser frágeis, falar dos seus sentimentos, contar os seus problemas, agora também não recebem obrigado, parabéns, mas são recebidos pela família, pelos filhos, pela esposa com um simples “não faz mais que sua obrigação”, “homem tem que fazer isso”, “tem que sofrer mesmo, porque mulher um dia sofreu”, “aguenta calado que você é homem”… O homem antes se sacrificava em prol da família e recebia gratidão, e mesmo que escondesse os problemas, sentia-se orgulhoso da admiração de seus amores, hoje o homem se sacrifica, em prol de nada além de ingratidão. Hoje o homem não tem voz, não tem fala, está errado e é culpado dos problemas do país simplesmente por ser homem, será que isso não causa nenhuma dor, dor que se acumula, acumula, acumula…?

Será que não passou da hora de repensar no tratamento que os homens têm recebido? A proposta é a extinção do masculino? O marketing ideológico, o Legislativo, o Judiciário, a mídia, todos estão contra os homens; será mesmo que ninguém percebe o que está acontecendo e qual a contribuição disso tudo nas altas taxas de suicídio masculino?

“O suicídio aumentou gradativamente no Brasil entre 2000 e 2016: foi de 6.780 para 11.736, uma alta de 73% nesse período. Ainda, segundo a OMS a média global de suicídio é de 10,7 por 100 mil habitantes, sendo 15/100 mil entre homens e 8 entre as mulheres. No Brasil, o índice de mulheres que morreram por suicídio em 2015 foi de 2,7 / 100 mil, enquanto os homens atingiram taxas quase quatro vezes superiores, 9,6 por 100 mil habitantes.

O que adianta campanha “Setembro Amarelo”, se as causas continuarão entranhadas na sociedade e aplaudidas pelas mulheres, com amparo legal? O que mata é a demonização do homem, é o silêncio, é a omissão, e o impedimento de ter voz, é o ignorar da presunção de inocência, é o incentivar a manutenção do estado de guerra, é negar que os homens são seres humanos, logo também têm dificuldades na vida, é a ausência de apoio. Sim, ouvir alguém pode evitar o suicídio, pois muitas vezes um homem nunca teve essa oportunidade, e melhor que ouvir, é nos dispormos a mudar esse cenário de culpabilização do masculino e esses números alarmantes. Uma vida não vale mais do que a outra, e dia após dia, ao incentivar a demonização do homem, rouba-se uma vida, porque ela se vai pois não pode ser ouvida, e ao invés de se oferecer ao menos a dúvida, oferecemos o apedrejamento, a violência psicológica, patrimonial, moral… lentamente.

O suicídio não é querer morrer, é querer desaparecer. – Georges Perros

A dor é individual, e só os homens que passam por isso são capazes de explicar. As minhas palavras são insuficientes para traduzir tanta angústia, perdas e decepções, as vezes misturada com raiva, raiva da justiça, raiva de pessoas que imaginou que ajudariam e não o fizeram, raiva de si mesmo por não ter percebido no início a mulher que escolheu, raiva por não ter percebido o que a passos lentos acontecia, e as curvas que não aconteceram…são pensamentos comuns, mas nada disso é culpa sua. Não silencie essa dor, não é frescura… o processo para se desintoxicar é lento, mas revelar para você mesmo essas aflições, conversar sobre isso ajuda a retirar aos poucos esses sacos de cimento que estão em suas costas.

Existem inúmeros homens nessa mesma situação, passando exatamente pelos mesmos problemas, ou já passaram, principalmente os decorrentes de relacionamento com mulheres abusivas que utilizam os instrumentos jurídicos e misandricos, para atingir a vítima. Esses homens já se uniram, e com o apoio que um tem do outro, superam os degraus, trocam experiências, buscam a valorização do homem, e o oferecimento de novas perspectivas, essa união se chama “A Voice for Men” (aos interessados em conhecer a organização, link abaixo)

Dostoievski escreveu que “a melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo.” Mas você não tem e não deve ser habituar a esconder seus sentimentos e problemas!

Homens tem sentimentos, homens tem fragilidades, homens são apenas humanos. Precisamos urgentemente olhar para o estado emocional masculino, mudar a cultura que cala, que omite e que mata morosamente meninos e homens. Nas palavras brilhantes de August Strindberg “Um homem não tem olhos? Não tem também mãos, sentidos, inclinações, paixões? Porque é que um homem não devia chorar?”

 

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