Thais Azevedo: Pedofilia não é uma questão de gênero

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Um dos crimes mais chocantes do mundo é a pedofilia.

 
Desde que o mundo é mundo, os seres humanos são capazes das piores atrocidades imagináveis. Saber que nossas crianças são alvo constante de bandidos é de quebrar o coração.
Mas o que está em voga, no momento, é a normalização de sexo entre adultos e crianças, além da revolta seletiva.
Não vou falar de pós-modernismo hoje. Vou falar de que o crime de pedofilia atinge meninas e meninos, mas só causa revolta quando o assunto são as meninas.
Antes de virem me xingar, vocês não sabem o que eu sou capaz de fazer com pedófilos, já denunciei vários e cheguei a ser ameaçada de morte por um deles. Diferente de muitos, minha revolta não é seletiva, e pedófilos são os piores criminosos, na minha opinião.
Me lembro do ano em que a Isabella Nardoni foi morta pelo pai e madrasta, o crime que chocou o país em 2008. Em janeiro daquele ano, li uma reportagem que contava que uma menina do Pará tinha sido presa, teve seu cabelo cortado para que fosse confundida por um menino, e tinha sido colocada numa prisão masculina com 30 presos. Ela foi estuprada TODOS os dias para poder comer. E antes que falem que foram homens que fizeram isso com ela, quem a colocou na prisão MESMO SABENDO DO QUE ACONTECERIA COM ELA LÁ, foi uma juíza. Esse caso me abalou de uma tal maneira que eu nunca me esqueci e quase peguei um avião para matar a juíza e salvar a garota. A menina só foi salva por que um dos presos foi solto e chamou o conselho tutelar. Como disse, esse caso me chocou e eu continuo procurando ter informações sobre ela. Hoje, ela mora na rua, é viciada em crack e vive sozinha. Continuo orando por ela.
Bom, recentemente foi noticiado que e Harvey Weinstein, um dos magnatas de Hollywood, é um pedófilo que abusou de inúmeras atrizes . O chocante pra mim que já acompanho casos de estupro e pedofilia há pelo menos 15 anos, é que já vi atores meninos falando disso INÚMERAS vezes, mas que não foram sequer levados a sério, vários morreram em decorrência do uso de drogas (um dos fins trágicos quando não se é tratado o abuso), e um deles, Corey Feldman chegou a ser culpado por falar que foi abusado sexualmente por pedófilos e que eles ainda estão no poder. Barbara Walters disse que ele “estava queimando toda a indústria”. Culpabilidade da vítima não atinge somente mulheres, feministas.

 

Eu chamo isso de revolta seletiva por que qualquer caso que envolva uma criança e um adulto, me revolta. Eu não olho para os gêneros nem do abusador nem da vítima, por que não é isso que é importante. O importante é que uma criança foi estuprada por um adulto!!! Mas a comoção com a mídia só existe quando a vítima é mulher e o abusador é um homem.

Muito se fala sobre a exploração sexual de meninas e é um assunto que me entristece a alma. Mas e os meninos? As políticas são criadas para deixar os meninos de lado. Vocês já ouviram falar nos Bacha Bazi no Afeganistão? Já escrevi sobre eles esse ano. Os militares norte-americanos foram impedidos de agir em defesa desses meninos por se tratar de cultura local. ISSO é cultura do estupro!

 

Os crimes cometidos contra meninos e homens são menos denunciados, e quando são denunciados, esses meninos são vistos como “maricas”. Isso sempre acontece com as notícias que mostram professoras jovens e bonitas estuprando seus alunos menores de idade. Há casos onde a estupradora engravidou e a criança ainda teve que pagar pensão. Nesse outro caso, ele descobriu seis anos depois que tinha uma filha e o estado decidiu que ele teria que pagar pelos seis anos de ‘atraso’. Numa sociedade que urra “meu corpo, minhas regras”, e “cultura do estupro” o silêncio feminista é ensurdecedor.

Mães, babás, tias, professoras, vizinhas… todas capazes de estuprar como pais, tios, vizinhos, professores, avós… Essa é uma realidade difícil de entender, mas não deixa de ser uma realidade. Eu sempre digo que criminoso não tem gênero, nem sexualidade, nem raça, nem etnia, nem religião, nem idade, nem posição política. O mesmo serve para as vítimas.
As penas são diferenciadas quando a abusadora é mulher. A britânica Loren Morris estuprou por dois anos um menino de oito anos de idade por, pelo menos, 50 vezes. Sua sentença? DOIS anos. Isso mesmo, por ter destruído a vida de um menino, ela pegou 2 anos de cadeia. Igualdade, né? Imagina a revolta se um homem fosse condenado a dois anos pelo estupro de uma menina?
Temos os casos de professoras que estupram seus alunos, tias ou empregadas domésticas que estupram sem dó de crianças, meninos sendo levados aos prostíbulos mesmo sem saber o que irá acontecer, mas ainda assim, as pessoas só se comovem com casos onde a vítima é uma menina.

 

Eu, não. Eu me comovo com todos os casos que contei. Me comovo com as histórias que escuto de pessoas que me procuram pedindo ajuda por inbox.

 

Se você conhece alguém que passou por isso e que precisa de ajuda, pode me procurar. Conheço pessoas especializadas nisso e que podem ajudar da maneira ideal.

Todo criminoso deve ser punido. Toda vítima deve ser ajudada. Não ignore a outra parcela, não condene um só gênero. O buraco sempre é mais embaixo.

Eu luto pelo fim da violência contra meninas e meninos, mulheres e homens. Antes de olhar para as diferenças, olhe para a nossa humanidade.

Thais Azevedo

Thais Azevedo

1 Comment on "Thais Azevedo: Pedofilia não é uma questão de gênero"

  1. Thais, concordo em grau e gênero. A minha abusadora era uma mulher. Eu tinha 7 no começo. O que eu acho é que os de classe mais alta tem uma tendência homosexual em geral. E o mesmo para as mulheres casadas da alta classe que gostam de meninas. Eles também tem os que gostam de criança com criança, é um mundo completamente diferente. Eles eram em geral casados.
    Eu acho que os meninos, talvez falam menos porque eles eram em geral trazidos por amigos e acaba tudo ficando entre a turma.
    No maranhão era um máfia, eu só vejo café pequeno nas notícias. Eu desconfio de todo adulto que anda com um grupinho de jovens ao redor dele, pode ter certeza que tem alguma coisa errada com esse “tio”.

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