Jornalista da UOL manipula informações sobre palestra de professora antifeminista na UFG

Thais Azevedo
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Na segunda feira 5 de junho a Universidade Federal de Goiás foi palco de um espetáculo dantesco. O espaço que deveria servir para a livre difusão de ideias assistiu a um bando de Justiceiros Sociais cercarem e atacarem covardemente uma mulher, Thais Azevedo, que estava lá a convite dos próprios alunos da universidade para palestrar. Como o tema da palestra não estava de acordo com a ortodoxia politicamente correta, a palestrante não só foi impedida de falar como precisou sair escoltada pelos seguranças da universidade. A mesma palestra já havia sido ministrada com absoluta tranquilidade e sem nenhuma intercorrência na PUC de Goiás naquele mesmo dia, algumas horas antes. Para entender melhor o que aconteceu, leia aqui.

O ocorrido tem ganhado grande repercussão tanto nas mídias sociais quanto na mídia convencional. E é justamente nessa última em que se vê a quase hegemonia progressista torcendo a verdade e invertendo conceitos para condenar a vítima e isentar os agressores. Hoje, 7 de junho, o repórter Demétrio Vecchioli, do UOL, publicou matéria tendenciosa acusando a vítima de ter causado a própria agressão. A manchete já dá o tom pastiche da matéria: “Palestra ‘antifeminista’ causa confusão em universidade federal”. Como uma palestra, que sequer chegou a ser ministrada, pode causar “confusão”, é uma pérola que só poderia vir da mesma mídia que diz que “caminhões atropelam” e “armas matam”. Nos vídeos, o que fica claro é que uma manada de militantes interditou o espaço e agrediu verbalmente a palestrante, que sequer teve a chance de expor suas ideias.

O repórter conversou com a vítima, por telefone, por quase 20 minutos (ouça aqui a íntegra), mas a versão dela ocupa 7 linhas na matéria, exatamente metade do espaço que o “jornalista” dedicou à Danielle Ribeiro, do Coletivo Pagu, classificado pelo autor da matéria como “grupo de extensão do Núcleo de Direitos Humanos da UFG”. São 14 linhas que viram palanque para que a militante possa vomitar à vontade sua ladainha acusando a vítima, que saiu sem conseguir falar e debaixo de gritos e xingamentos de “fascista”, de “provocar ódio” e “incitar a violência”.

O “jornalista” chega a insinuar que a vítima ocuparia a tribuna irregularmente, afirmando que “O salão havia sido reservado com bastante antecedência por um aluno, para o advogado Giuliano Miotto, membro de uma comissão da OAB de Goiânia, que por sua vez convidou Thais”, o que é desmentido na própria matéria pelo diretor da Faculdade de Direito, o professor Pedro Sergio dos Santos: “O espaço havia sido reservado para ela”. Durante a conversa, o “jornalista” ainda indaga: “você não foi intolerante também?”. Pergunta retórica: o objetivo dele era apurar corretamente os fatos ou acusar a vítima de ser responsável pelas agressões que sofreu?

É óbvio que essa indigência mental que se observa nas nossas universidades, notadamente as federais, e que acaba sendo replicada na imprensa, não nasceu aqui, até porque é difícil imaginar alunos de extrema-humanas tendo alguma ideia original (o que se reflete no fato de que o nosso noticiário mainstream internacional é INTEIRAMENTE macaqueado da CNN). Nos EUA há diversos movimentos nas universidades para se criarem “espaços seguros” dentro das universidades, em que todo mundo pode exigir o direito de não ser contestado nem contrariado. Um editorial do NYT narra a história de uma estudante da Brown University que passa boa parte do tempo numa sala com cookies, livros de colorir, massinha de modelar, música calma, travesseiros, cobertores e um vídeo de “filhotes fofinhos”, porque , diz ela, “eu estava me sentindo bombardeada por diversos pontos de vista que realmente se chocam com as minhas crenças mais queridas” (não estou brincando, está aqui pra quem quiser se certificar.

Em Yale, em outubro de 2015, estudantes foram flagradas gritando histéricas com um professor que havia autorizado que outros estudantes usassem as fantasias de Halloween que bem entendessem. Essas estudantes acusavam o professor de violar seu “espaço seguro”. Uma delas, aos berros, deixa claro que a função do professor “não é a de criar um espaço intelectual [para o livre trânsito de ideias] e sim criar um lar”. Desde então, Yale virou objeto de piada até para os Simpsons  – provavelmente o mesmo destino reservado às nossas universidades federais.

Quando você conversa com essas pessoas (os chamados “guerreiros da justiça social”), fica claro que o objetivo deles é transformar a sociedade inteira num “espaço seguro”, em que grupos sensíveis nunca serão desafiados, contrariados, ofendidos. Nesse contexto, a verdade importa pouco ou nada, a narrativa é tudo, e você não será calado pelo convencimento, e sim pelo constrangimento, pela coação e pela ameaça, como as meninas da “Moça, não sou obrigada a ser feminista” perceberam da pior forma possível num evento do ano passado, e como a Thais teve novamente a chance de confirmar agora.

Veículos como UOL e FSP estão tomados por cheerleaders que indevidamente se intitulam “jornalistas”. Eles têm lado, tem agenda e tem ideologia, mascarada por uma casca de isenção. A julgar pela queda vertiginosa nas vendas em bancas e nos anunciantes online, na esteira da perda de credibilidade da mídia tradicional (pesquisa do Instituto Ideia Inteligência com 800 empresários revelou que apenas 7.9% deles dizem confiar no noticiário), o ativismo dentro das redações ainda vai quebrar muito jornal por aí.

Boicotem sem dó. Que profissionais do tipo de Demétrio Vecchioli falem sozinhos.

Rafael Rosset, advogado de Thais Azevedo.

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